sábado, 20 de novembro de 2010

O sagrado e a religião

Resenha baseada na obra "O Mundo da Prática - A experiência do sagrado e a instituição da religião", da autora Marilena Chauí. 

      O referido texto aborda a questão da crença das pessoas em algo sagrado e superior, o que se dá desde a origem dos Homens e de como essa crença se torna uma religião. Também contempla as características das religiões e de alguns temas, os quais são comuns a todas elas, como por exemplo, a origem do Homem e do Universo. 
 O sagrado pode ser entendido como uma força que habita um ser. Essa força é capaz de realizar aquilo que os homens, por si sós, não são capazes de fazer. Com isso, o sagrado se caracteriza como sendo algo superior aos seres humanos e a quem eles devem temer e respeitar. Já a religião pode ser tida como sendo uma maneira de intermediar o ser humano com o sagrado. Essa intermediação pode ser feita através da fundação de uma instituição como, por exemplo, a Igreja Católica no Cristianismo. No entanto, a religião não ocorre apenas quando há uma instituição: os indígenas, por exemplo, possuem a sua religião e a crêem em determinados deuses, mas essa religião não se caracteriza pela existência de um templo ou instituições tão hierarquizadas como em outras religiões. 
É comum a todas as religiões uma narrativa a respeito da origem do Universo e também do próprio Homem. Essa narrativa procura dar um caráter sagrado ao tempo, buscando explicações a respeito daquilo que há na Terra, ou seja, sua ordem e formato. Essa origem não pode ser explicada de maneira racional, sendo que quem acredita nela se baseia apenas pela fé. 
Os ritos presentes nas religiões constituem mais uma das maneiras de ligar os seres humanos e a divindade. Tais ritos podem representar um agradecimento, uma repetição de alguma passagem da história do sagrado ou uma maneira de súplica do perdão diante dos deuses. Para que esses objetivos sejam atingidos pelo rito, se faz necessária a repetição minuciosa do acontecido. Alguns objetos tornam-se sagrados através das religiões e passam a ter vários significados para as pessoas: podem significar um tabu, ou seja, algo que não pode ser tocado por alguém que não seja apto; também animais ou objetos que são considerados impuros e que os homens não devem entrar em contato com eles e por fim objetos que são identificados com os próprios deuses. 
No que diz respeito ao contato do homem com os deuses, as religiões se dividem em duas: as de manifestação e as de revelação. Nas religiões de manifestação é possível visualizar o deus de alguma forma, através de uma luz, por exemplo, essa visualização possibilita o conhecimento de outra realidade além-mundo. Nas religiões de revelação é possível obter o conhecimento dessa realidade estando o humano em seu mundo. Através de lei divina os deuses levam ao conhecimento dos homens as suas vontades, as quais constituem a “trilha” que deve ser percorrida por eles para que seja mantida a ordem do mundo. A manifestação da vontade divina ocorre de duas maneiras: através de intermediários, como no Judaísmo, ou diretamente e individualmente, como no caso dos videntes. Ocorre também que, quando o deus se manifesta por intermediários, estes tem que escrever os ensinamentos, já quando a manifestação é direta os que a recebem passam-nos de forma oral. 
É algo comum a todas as religiões a tentativa de explicar a morte, ou seja, responder à pergunta “Por que as pessoas morrem”? Tal pergunta é respondida através de uma culpa original, a qual todos os homens já nascem com ela que foi adquirida através de uma desobediência do homem com o deus. No entanto, algumas religiões não consideram a morte como o final, elas afirmam que há uma outra vida após a morte, o que explica a preocupação com os ritos funerais e a perfeição na sua realização. Já outras religiões pregam a salvação da morte eterna através do perdão das faltas cometidas pelos homens, como no Cristianismo. O Milenarismo está intimamente ligado ao Catolicismo e diz respeito ao retorno ou vinda de um salvador que irá retirar o sofrimento dos homens, julgando-os segundo os seus atos e dando um final ao mundo terreno. 
A dualidade entre o bem e mal também é um tema comum a várias religiões, no entanto em algumas os próprios deuses possuem esses dois comportamentos. Em relação às faltas elas podem ser visíveis, se a religião for de exterioridade, ou interna invisível, que é o caso das religiões de interioridade. Ela se caracteriza pelo não cumprimento da lei divina, e o perdão poderá ser obtido, ou não, através de uma graça, que será o perdão da divindade. 
Para algumas religiões, as divindades também estão presentes no mundo terreno através das forças da natureza. Nas religiões teístas, os deuses estão separados do mundo terreno e habitam uma dimensão superior. 
A religião tem por finalidade dar explicações aos homens a respeito do mundo em que eles vivem, retirar deles o medo da natureza, dar a eles a esperança da vida após a morte e obter o controle dos seus atos através das normas religiosas.
A noção de algo sagrado pode ser caracterizada como um tabu, pois desperta a reverência a uma entidade. Desde a época da Pré-História, o homem já considerava alguns seres como sendo sagrados e dotados de uma força superior à deles. A religião não pode ser considerada como a única forma de ligar o homem ao sagrado: o homem agindo de maneira individual pode sim possuir a sua fé e ligação com o sagrado. 
A questão da origem do Homem e do Universo é bastante controversa, pois cada religião possui a sua própria narrativa, além dos embates com as concepções da ciência. Uma frase interessante do texto diz que: “A religião é crença, não é saber”, a partir dela será possível inferir que para seguir uma religião, qualquer que seja ela, é necessário que haja fé e confiança naquilo que é tido como verdadeiro pela religião. 
Os ritos constituem uma das principais preocupações das religiões, pois são tais momentos que proporcionam a “comunicação” do Homem com os Deuses. As religiões estão permeadas de simbolismos e tabus, os quais são um dos principais responsáveis pelo temor e reverência dos seus seguidores em relação às divindades. Tanto a revelação quanto a manifestação constituem a principal forma de os deuses mostrarem as suas vontades aos crentes, dizendo o que devem fazer e como devem agir em suas vidas. 
Muitos dos aspectos das leis divinas são utilizados pelos homens nas suas leis terrenas. Um exemplo é na religião Islâmica, aonde os ensinamentos revelados por Alá ao profeta Maomé são seguidos fielmente pelos adeptos da religião. 
A morte talvez seja um dos temas mais misteriosos e controversos da humanidade, a única certeza é que ela é real, mas o que ocorre depois é desconhecido de todos os homens. As religiões buscam explicar a morte para, de certa forma, tentar dar um sentido a vida das pessoas. As religiões de uma forma geral buscam dar explicações a respeito do que ocorre na vida do homem. Talvez por esse motivo, elas tenham recebido muitas críticas de filósofos e outros estudiosos, isso pelo fato deles não encontrarem uma explicação racional para as crenças religiosas.




quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Agradecimento do BLOG DOS HISTORIADORES

Caros leitores, acho que quando comecei a postar os meus textos neste blog, não imaginava que ele fosse ser lido por tantas e tão qualificadas pessoas. Então, gostaria aqui de agradecer a todos aqueles que tem lido meu blog e dizer que todas as críticas construtivas e sugestões são totalmente aceitas. Não posto tantos textos quanto queria por causa do tempo, mas sempre que puder estarei divulgando aqui os meus trabalhos.
Um abraço a cada um de vocês!

domingo, 14 de novembro de 2010

Conceito de Moderno e Reformas - Parte 3 (Final)


É importante determinar o ponto no qual a visão a respeito do moderno influi no processo de reforma religiosa. É errôneo afirmar que houve apenas a simples ruptura radical entre o povo e a religião católica. Pois bem, o moderno, expressado pelo pensamento, chegou sim à esfera religiosa, mas, ele não se desvendava apenas através da total ruptura com o catolicismo, mas também através de novos meios de pô-la em prática. Como exemplo, no primeiro caso, há o próprio pensamento luterano, que se desvinculou totalmente do Catolicismo, sendo o ponto de partida para a fundação de novas religiões, já para o segundo, podemos citar as novas correntes surgidas no interior da Igreja Católica.
Como conseqüência dos processos anteriores, houve uma maior secularização da vida social. Durante a Idade Média, a Igreja Católica foi o centro de toda a vida social européia, mas esse quadro veio a modificar-se com a passagem à modernidade. Desse modo, o homem passou a opor-se ao controle clerical no seu dia a dia, desse modo, ele mesmo passou a tornar-se dono de sua existência.
Essa mudança de mentalidade observada no homem, relacionada com os desmandos praticados pela Igreja Católica, encontram-se imbricados na essência reformista. Não foram os excessos em si que, ao serem revelados pelos reformistas, provocaram a revolta, mas sim, a não aceitação desses excessos pelo povo. Ora, se durante todo o período medieval houve luxúria, prostituição e todos os absurdos já citados que ocorriam dentro da Igreja Católica, por que apenas no século XVI houve essa “revolta” das pessoas perante tais fatos? É simples, basta atentarmos para os fatores externos, não tentando explicar a reforma religiosa partindo dela mesma. Tais fatores externos, principalmente os sociais (fome, doenças, pragas), fizeram com que o povo perdesse a sua confiança na Igreja Católica, duvidando da eficácia de se possuir uma fé cega, passando, assim, a interiorizar e individualizar a sua fé.    
A partir desse contexto, a religião passou a se configurar de uma maneira mais interior. Com a tradução da Bíblia, esse processo foi acelerado, visto que as escrituras puderam ser acessadas por mais pessoas, tanto é, que hoje em dia a maioria das famílias ocidentais possui um exemplar da Bíblia cristã em suas casas. Cada uma dessas pessoas que tem acesso ao Livro Sagrado, por mais que sigam os preceitos da sua religião, possuem a oportunidade de ler a Bíblia e formar a sua própria opinião a respeito daquilo que nela está escrito.
Ainda sobre o papel da Bíblia, é correto afirmar que ela teve papel preponderante no processo de expansão do movimento reformista. A partir da sua tradução para diversas línguas pátrias, a interpretação das escrituras tomou diversas conotações, o que acarretou na formação de novas religiões além da Luterana. 
Não se pode excluir desse processo transitório o interior da Igreja Católica, pois a mesma não permaneceu imune a essa modificação nos pensamentos. Essa noção de que nem tudo o que era praticado pela Igreja Romana era correto e que não estava de acordo com as escrituras fez com que nascesse a idéia de que era necessário haver uma reformulação nesse modo de agir, sendo esse o ponto principal que culminaria na Reforma Religiosa. Era o moderno atingindo o seio do Cristianismo. Começam então a surgir movimentos internos na própria Igreja Católica, os quais tinham o intuito de seguir fielmente o que diz a Bíblia, configurando-se como um cristianismo mais puro, sem desvincular-se totalmente dela.   Levando-se em consideração essa análise, cai por terra a noção de que o movimento reformista de Lutero foi o único responsável pela divisão Católica observada no período Moderno. Lutero representou uma ruptura mais forte do que as outras, pois essas primeiras divisões não acabaram por fundar novas igrejas, mas resultaram no aparecimento de ordens diferenciadas dentro da Igreja Católica, a dos Franciscanos foi uma dessas ordens.  
Um ponto importante que inflamou Lutero a rebelar-se diante da igreja Católica foi a sua viagem a Roma, na qual ele pôde observar todos os absurdos praticados pela Igreja Católica, dentre os quais podemos citar: corrupção, a venda de indulgências, relíquias sagradas, a luxúria e a prostituição sendo praticadas pelos membros do alto clero.
A Reforma Luterana não seguiu um caminho linear em todos os locais por onde passou. Esse processo diferenciado ocorreu a partir da maneira pela qual Lutero guiou a sua expansão, realizando-a de maneira setorizada. Lutero formou vários grupos e encarregou-os de levar as suas idéias por todas as regiões da Europa, de modo a facilitar o processo. Por esse motivo, a Reforma Religiosa não pode ser vista como um movimento uniforme, o qual teria ocorrido de maneira semelhante em todos os países no qual foi levado. Relacionamos, então, esse processo, à própria noção de modernidade, a qual, conforme supracitado, não esteve presente com o mesmo formato em todos os lugares da Europa.  
Ao se referir ao tema reforma, não é possível reter-se, apenas, à questão religiosa. O referido termo é muito amplo, principalmente quando a sua utilização ocorre para se referir à Idade Moderna. Por esse motivo, não se pode desvincular a reforma religiosa dos demais processos ocorridos à época, os quais também podem ser tratados como verdadeiras “reformas”. Para exemplificar toda essa complexidade presente no período Moderno, é possível referir-se ao aspecto político. É fato que as idéias luteranas foram bem aceitas pelos soberanos de alguns países europeus, pois proporcionavam uma liberdade não encontrada com a Igreja Católica, principalmente no âmbito político. A luta por uma liberdade religiosa também era um embate ao domínio de Roma sobre os demais reinos europeus. Também é possível relacionar a idéia de reforma a uma modificação na estrutura social européia. A Igreja Católica deixa de ser o centro da sociedade, a qual passa a primar pelo individualismo. Desse modo, sem o rígido controle religioso, tornou-se possível aos países europeus adiantarem-se na questão comercial, sedo importante lembrar que o comércio não desapareceu de todo no período medieval.     

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Colonização inglesa na América do Norte

As 13 colônias
      A colonização da América do Norte possui particularidades não encontradas na colonização do restante da América. De início, podemos destacar a iniciativa privada que teve grande força no processo colonizador da América do Norte: o ideal de desenvolvimento, mesmo que usado como pretexto pêra o desenvolvimento pessoal, estava presente na mentalidade dos empreendedores que chegaram à América do Norte. Juntando-se a esse fator, temos a imigração camponesa, que em busca de trabalho e de terras para cultivar, foi aventurar-se em terras desconhecidas. Juntemos também a visão liberal dos perseguidos religiosos que se instalaram na região. Todo esse caldo fez surgir um desenvolvimento nas colônias do Centro e do Norte, visto que os laços mantidos com a metrópole não eram tão estreitos quanto os que mantinham as colônias do sul. Estas últimas desenvolveram um processo colonizador semelhante aos implantados nas colônias Ibéricas, o que hoje pode ser observado ao analisar as diferenças de desenvolvimento dos estados do sul e do norte do litoral dos Estados Unidos. Outro importante fator está ligado à independência das colônias entre si, ou seja, já havia uma autonomia que em alguns pontos se assemelha ao federalismo. No entanto, as suas relações com a colônia podem ser vistas quando se leva em consideração as diferenças relativas ao desenvolvimento alcançado pelas colônias do Norte, do Sul e do Centro. Não se podem excluir as características naturais que influenciaram essa diferenciação, pois a facilidade em cultivar produtos foi importante para a exploração realizada no sul, já no norte não houve tal facilidade e a pesca foi bastante praticada.
         A luta travada entre franceses, ingleses e espanhóis pela região da América do Norte traduz a importância econômica dessa região. Cinco guerras foram travadas envolvendo tais países, aonde todas envolviam a busca por territórios e riquezas, sendo que a Inglaterra, mesmo enfraquecida economicamente, saiu vencedora.
          É possível fazer uma comparação da colonização dos Estados Unidos com a do Brasil .O primeiro fator se refere à diversidade de povos que aqui se instalaram. Temos como a primordial diferença os seus objetivos ao chegarem às novas terras: enquanto na América do Norte a intenção era habitar e desenvolver o local (quando tratamos do norte e do centro das colônias), no Brasil e no restante da América Latina o propósito era apenas de explorar e conter de todas as formas o desenvolvimento das colônias. E isso reflete nos dias de hoje: enquanto vivemos em um país de terceiro mundo, com subemprego e um número exorbitante de analfabetos, a América do Norte apresenta melhores quadros nos quesitos expostos.

domingo, 7 de novembro de 2010

O catolicismo popular e suas expressões no Agreste Pernambucano

    O catolicismo é a religião mais praticada no Brasil, fato evidenciado quando observamos as origens da colonização em nosso País, tendo como base o domínio português, país predominantemente católico. Além desse relevante fator, durante muito tempo, esta foi a religião oficial brasileira, amparada pelo Estado. A principal conseqüência disso é o grande número de católicos que há em nosso país: segundo o censo de 2000 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 73,7 % da população brasileira era católica.
    Hoje em dia o Estado brasileiro é laico, ou seja, é adotada a convivência respeitosa de todas as religiões. Sendo assim, nenhuma delas poderá ser proibida pelo Estado, nem tampouco subvencionada, ou seja, auxiliada financeiramente.
    O catolicismo tradicional, qual seja aquele que segue fielmente os dogmas que são impostos pelo Papa e que possuem uma conotação universal, vem muitas vezes acompanhado do chamado catolicismo popular. Este último pode ser considerado como sendo uma reinvenção do catolicismo, o qual leva em consideração as peculiaridades de cada localidade.  
    O catolicismo popular não é uma exclusividade encontrada no Brasil, mas é uma realidade que pode ser observada em diversos lugares do mundo. Onde quer que se encontre a Igreja Católica, há manifestações do catolicismo popular.
    Interessante notar-se que o termo catolicismo popular foi criado pela Igreja Católica oficial e não pelo povo em si. Quando se fala Igreja Católica oficial, fica claro que há uma duplicidade no que concerne à Igreja Católica, sendo que uma é aquela que segue os ritos oficiais ditados pelo Vaticano e a outra se refere à essa junção entre esta última e os costumes do povo.
    O catolicismo popular não está engessado nas classes sociais menos abastadas, sendo que todo aquele que emerge socialmente carrega consigo essa forma de praticar a religião católica. Esse fator desmistifica a idéia de que a crença popular na religião católica é exclusiva daqueles do povo. No Nordeste, muito se liga a idéia da crença no padre Cícero do Juazeiro à figura do sertanejo mais necessitado, sendo que essa idéia não é aceitável de acordo com o que foi anteriormente exposto.
    Segundo F. Boulard: “Devem ser incluídos no debate também santuários, romarias e festas de estações do ano”. Desse modo, a abrangência do que vem a ser catolicismo popular tende a crescer, sendo que na região Nordeste do Brasil, que será mais enfatizada nos estudos a serem realizados, é terreno fértil no que se refere à essas manifestações. Somente em levantamento geral, na região do Agreste Meridional de Pernambuco, encontramos o Santuário Mãe Rainha e de Santa Quitéria das Freixeiras, em Garanhuns - PE; Santuário de Nossa Senhora das Graças, em Pesqueira - PE; Santuários à Frei Damião, em Capoeiras - PE e São Joaquim do Monte-PE; a cidade de Belo Jardim também deve ganhar, até o final do ano de 2010, dois santuários, sendo um em homenagem à Frei Damião e o outro em homenagem à Nossa Senhora. Somente nesse apanhado geral, foi possível diagnosticar a grande quantidade de manifestações do catolicismo popular, por intermédio de santuários, que ocorrem na região do Agreste Meridional de Pernambuco.
    Quando se fala em catolicismo popular no Nordeste, não se pode negligenciar a cidade do Juazeiro do Norte, a qual conta com a figura do Padre Cícero Romão. Tido como santo pelos seus devotos, o Padre Cícero é o exemplo mais marcante dentre todos os anteriormente citados.  


Multidão acompanha celebração em homenagem ao Frei Damião na cidade de Capoeiras - PE. (Maio de 2010)



quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Conceito de Moderno e Reformas - Parte 2


Construiu-se durante o período de 1500 a 1800 um embate ideológico na mentalidade das populações ocidentais. Esse embate colocava em discussão a questão do Moderno e do Medieval, a qual se revelava sob vários enfoques. Então, o que seria moderno e o que seria medieval na visão dos homens daquela época? Como teria ocorrido essa percepção? Essas são questões básicas a serem respondidas, para que assim se possa compreender o conceito de moderno e relacioná-lo as reformas ocorridas no período em questão.
A passagem do medieval ao moderno não foi linear, como fica subentendido a partir da leitura dos livros didáticos. Essa transição ocorreu em diferentes ritmos e maneiras, sendo vislumbrada em diversos aspectos da existência humana. Alguns vultos da época tiveram a percepção de que o período no qual estavam vivendo representava um momento novo na história da humanidade, no entanto, se observamos os locais mais afastados dos grandes centros europeus, será possível notar que o processo não foi o mesmo. Inferimos, pois, que o que representava o moderno para os moradores de uma região européia, pode não ser comungado pelas pessoas de outras localidades.  
O referido processo de modernização, o qual se deu de uma maneira lenta e com várias etapas, foi modificando a visão de mundo dos europeus. Talvez, essa nova percepção de mundo tenha sido a maior conseqüência ocorrida quando da passagem do Medieval ao Moderno, pois reconstruiu a mentalidade de todo um continente, e, mais tarde, dos demais continentes nos quais foram levados esses ideários. Desse modo, percebe-se que a modernidade não ficou restrita à Europa, e, para exemplificar esse processo, há a transposição da religião luterana à América através dos ingleses, quando da colonização da América do Norte.     
Lutero é considerado como sendo um dos homens da época (século XVI) que estavam à frente do seu tempo, exercendo um papel importante no campo religioso. Mas é importante notar que a percepção de Lutero é apenas uma pequena parcela dos diversos prismas que configuraram a percepção da modernidade.
Como exemplo, podemos citar a percepção do que seria a verdade, a qual também sofreu modificações a partir do pensamento de figuras como Giordano Bruno e Galileu Galilei, vultos que também se encontravam à frente do seu tempo. A partir das suas idéias, formou-se a concepção de que não se pode mais pensar a verdade com algo que é imposto, no caso pela Igreja Católica, mas sim como um elemento dado pela natureza e que será desvendado pelo próprio homem de uma maneira individual. Desse modo, a relação homem-verdade não se dá mais de uma maneira vertical, ou seja, como realidade imposta por uma instituição que estaria acima de todas as outras e que deve ser aceita cegamente. Em confronto com os ideários anteriores, a nova concepção da realidade formada no período moderno configura-se pela forma horizontal, sendo, desse modo, autônoma e podendo ser desvendada pelo próprio homem.
A modificação da percepção da verdade alterou profundamente o campo religioso, representando uma grave ameaça à autoridade Católica. Tal fato ocorre na medida em que os dogmas da Igreja de Roma não passariam mais a serem aceitos por todos, visto que não há verdade absoluta. Partindo desse pressuposto, é possível afirmar que a partir das novas mentalidades foram ocorrendo, aos poucos, rupturas na unidade Católica, as quais seriam irreversíveis. Essas rupturas, no entanto, não representariam o desaparecimento do pensamento impregnado de forte religiosidade do povo europeu, na verdade, há uma modificação dessa visão mística. É justamente nesse ponto referente às mudanças na visão a respeito da religião, que se enquadra a essência da Reforma Luterana.   

domingo, 31 de outubro de 2010

Dia histórico - A primeira mulher no Planalto

Muito longe de realizar apologia a determinado partido político ou corrente ideológica, no dia de hoje, com a eleição de Dilma Roussef para a presidência da República, mais uma vez as barreiras do tradicionalismo da população brasileira foram quebradas. Depois de eleger o seu primeiro presidente nordestino, possuindo ele também o pioneirismo em ser oriundo das classes mais humildes, foi a vez de o Brasil levar ao Palácio  do Planalto a primeira mulher  que irá ocupar o cargo máximo do nosso País.
Esse processo não se realizou de maneira repentina, mas sim foi o fruto de longas modificações ocorridas na sociedade, tanto brasileira quanto mundial. A política, como um dos setores dessa sociedade, também refletiu essa nova configuração social. De uma mulher submissa às vontades, primeiramente do seu pai e depois do seu marido, a uma mulher que dita os rumos de uma nação com quase duzentos milhões de habitantes. São as marchas da História que acarretam em tais configurações observadas hoje em dia.
Que Dilma tenha muita sorte e saiba guiar o nosso País rumo ao caminho certo, caminho este que passa pela busca do bem de todos os seus cidadãos de maneira igualitária.