O trabalho dos historiadores não pode ser comparado com um processo de produção mecanizado, como em uma fábrica, por exemplo. Nós, em nosso ofício, não fabricamos a História da mesma maneira que um conjunto de operários fabrica um veículo. O fato passado é algo imutável, complexo e obscuro, portanto, com essa imutabilidade, não podemos dizer que a História é produto criado pelos historiadores. Além disso, o termo fábrica implica em uma série de outros fatores que não condizem com o que deve ser o trabalho historiográfico, como divisões de trabalho e relações de poder, por exemplo. Tais fatores excluiriam o caráter impessoal do historiador. Por outro lado, a complexidade e a obscuridade presentes na história abrirão uma nova perspectiva ao seu trabalho: ao invés de operário “fabricante da história”, o historiador será considerado um tecelão do passado. O seu trabalho consiste em unir os fatos e instrumentos soltos do passado, reorganizando-os segundo um raciocínio lógico através de uma linha norteadora. No entanto, são necessários vários “tecelões da história” para que assim, eles nos proporcionem uma ampla visão a respeito do passado, pois apenas um tecelão não é capaz de confeccionar essa enorme colcha chamada “História”.
Levando-se em consideração o trabalho minucioso e por isso vagaroso do historiador, a comparação do seu trabalho com o artesanato praticado pelo tecelão é a mais adequada. Muitas vezes, este trabalho artesanal do Historiador não possui o reconhecimento compatível com todo o seu esforço. A liberdade e o desapego às maquinações do presente devem estar inseridos no trabalho historiográfico, não devendo o historiador prender-se aos novos instrumentos tecnológicos, mas sim utilizá-los como pontos de apoio ao seu trabalho. Reconstruir o passado é uma arte, a qual requer paciência, tempo e, acima de tudo, dedicação por parte do historiador. Ele desempenha um papel fundamental para a sociedade atual e também para aquelas vindouras, no sentido de fazê-las conhecer o seu passado, as suas origens e consequentemente a si mesmas.
Alguns historiadores defendem que o início da Guerra Fria se deu no término da Segunda Guerra Mundial, com as explosões em Hiroshima e Nagasaki, enquanto outros afirmam que o seu início se deu com a Doutrina Truman, em fevereiro de 1947 havendo também os que defendem a idéia de que o período teve o seu início com a divisão da Alemanha em outubro de 1949.
Esse período foi marcado pela disputa ideológica ocorrida entre os EUA, que defendiam o capitalismo e a URSS, defensora do socialismo. Alguns dos principais fatores importantes nessa disputa foram os meios de comunicação, como o cinema e a música, por exemplo. Os socialistas defendiam a existência de uma sociedade igualitária, com a presença preponderante do Estado, o qual distribuiria igualmente as riquezas entre todos os cidadãos. Os capitalistas defendiam o ideal da liberdade e felicidade individual de cada cidadão, o qual deveria adquirir livremente a sua ascensão. Esses eram os dois discursos utilizados por capitalistas e socialistas e que possuíam bastante difusão nos meios de comunicação, os EUA obtiveram vantagens nesse aspecto por possuírem uma forte indústria cinematográfica. Um exemplo é o desenho animado dos Thudercats: Lion, defensor do bem, que com sua espada possui visão além do alcance, ostenta as cores da bandeira americana – o azul e o branco na roupa, e o vermelho nos seus cabelos de fogo. Já Mun-ra, símbolo máximo dos antigos espíritos do mal, é uma múmia que veste uma capa vermelha, a cor dos comunistas. Entretanto, a batalha entre as forças do bem e do mal não ocorre na terra de Lion e tampouco na de Mun-ra, mas em um planeta chamado Terceiro Mundo.
A disputa entre URSS e EUA se deu em vários aspectos, além desse ideológico. A busca pela demonstração de poder em todos os aspectos fez com que as questões política, militar e econômica estiveram sempre presentes durante o confronto. Nesse intuito de demonstração de poder, ocorreu por parte das duas potências a alimentação de conflitos em outros países. Não apenas por esse motivo, mas também por que os dois blocos possuíam a convicção de que as suas armas nucleares poderiam provocar um desastre mundial, por esse motivo evitaram ao máximo o confronto direto. Desse modo, ocorreram alguns conflitos nesse período, os quais contaram com a participação indireta dos soviéticos e norte-americanos: guerra da Coréia e guerra do Vietnã.
Nesse contexto de influências soviéticas e norte-americanas, estava incluso o país de Cuba e nele ocorreu a chamada Crise dos Mísseis (1962). Os russos chamam o episódio de “crise caribenha” e os cubanos a denominam “crise de outubro”. Os norte-americanos haviam instalado mísseis nucleares em território turco, sendo que esses mísseis possuíam capacidade para alcançar o território soviético. Além disso, Cuba também havia sido invadida pelo exército norte americano. Em resposta a esses atos, os soviéticos instalaram mísseis em Cuba, sendo que era possível que eles atingissem qualquer parte do território dos Estados Unidos. Esses mísseis foram fotografados durante um vôo secreto norte americano. O clima ficou muito tenso, não apenas nos EUA, mas também em todo o mundo. As armas nucleares das duas potências possuíam a capacidade de destruir todo o mundo. Os norte-americanos preparavam-se para os ataques nucleares e viviam sob extrema tensão, como tão bem aponta o filme “Treze dias que abalaram o mundo”.
Capa do filme - Treze dias que abalaram
o mundo
Após a iminente ameça de uma guerra nuclear, EUA e URSS, cientes da destruição que um conflito de tais proporções poderia causar, entraram em um acordo. Os soviéticos deveriam retirar seus mísseis de Cuba e os norte americanos fariam o mesmo em relação aos que estavam na Turquia. Os soviéticos cumpriram a sua parte, mas os norte americanos não retiraram todos os seus mísseis da Turqui. Cuba também saiu vitoriosa ao final do episódio, pois teve a garantia de que não seria invadida pelos EUA.
Caros leitores, penso eu, que aqueles que me conhecem bem, devem estar se pergutando se eu não iria falar de futebol no meu blog, mesmo ele sendo sobre história. Tenho que confessar que estava apenas esperando a oportunidade para entrar nesse assunto em um dos meus posts, visto que, além da História e do Direito, também sou apaixonado por futebol. Pois bem, a oportunidade apareceu. No próximo ano, o campeonato pernambucano será um dos mais importantes e disputados da história do certame. Tem-se em jogo a hegemonia do tão famoso hexa campeonato do Náutico, o qual é tão perseguido pelos rivais, sendo que o Sport está a um título de igualar a marca. Por esse fator, o campeonato promete ser o mais disputado dos últimos anos. Sendo assim, vamos falar um pouco do surgimento do torneio, que é um dos mais tradicionais do Brasil.
Antes de adentramos no assunto Campeonato Pernambucano, termos que nos reportar às origens do futebol no estado de Pernambuco. Em 1902, o esporte começou a ser praticado no estado, o qual foi trazido por marinheiros franceses e ingleses. Os mesmos realizaram uma pequena demonstração do esporte na praia, sendo que, e apartir daí, os pernambucanos começaram a tomar gosto pelo football. A partir desse fato, começaram a surgir os primeiros clubes de futebol no estado. O pioneiro entre eles foi o Clube Náutico Capibaribe, o qual foi fundado mesmo antes da chegada dos ingleses e franceses, em 1901, mas tendo como atividade inicial o remo. Em 1905, passou o Náutico a disputar também partidas de futebol, deixando de ser somente um clube somente voltado ao esporte fluvial. Também no mesmo ano, foi fundado o Sport Clube do Recife e mais tarde, em 1914, nascia o Santa Cruz Futebol Clube.
O primeiro campeonato pernambucano foi disputado no ano de 1915, e o seu campeão foi o Sport Club Flamengo, equipe já extinta, que tinha a sua sede na cidade do Recife. A equipe, fundada em 1914, contou em seu elenco campeão com os seguintes jogadores: Luiz; Alves e Albuquerque; Frederico, Ruy e Abdon; Waldemar, Gastão, Taylor, Percy Fellows e Lelis. Importante notar a presença de estrangeiros na quipe, refletindo ainda as origens do futebol em Pernambuco. O jornal Diário de Pernambuco, do dia 14 de Dezembro de 1915, noticiava a conquista do título pelo Flamengo do Recife:
"Encerrou-se anteontem, com a vitória do Sport Club Flamengo contra o Torre Sport Club, o campeonato da Liga Sportiva Pernambucana, instituído para o football. Depois de uma série de matchs emocionantes, que trouxeram em constante delírio o público esportivo do Recife, teve o Flamengo coroado os seus esforços e firmada a sua força dentre os seus dignos adversários nas lutas pacíficas do esporte. O Flamengo do Recife quis ser o êmulo do seu congênere do Rio, e vencendo a tática do Santa Cruz e a tenacidade do Torre, soube guardar para si os louros da vitória - e as "louras medalhas".
O Santa Cruz, como se vira na notícia, também participara desse campeonato, tendo sido ele o único clube pernambucano a estar presente em todas as edições do pernambucano. O primeiro título dos ditos "grandes da capital" viria a ocorrer em logo em 1916, com a conquista do Sport Clube do Recife, sendo que nesse mesmo ano ocorreu a estréia do Clube Náutico Capibaribe no certame. O Santa Cruz conquistou o seu primeiro título em 1931 e o Náutico em 1934.
Assim, meus caros, tem origem o Campeonato Pernambucano de Futebol, o qual ainda possui inúmeras curiosidades que fazem parte de sua história e podem ser amplamente exploradas. Vamos, no entanto, nos restringir neste post, somente as suas origens, mas sempre mantendo um canal aberto para novas explorações sobre este esporte que fascina a maioria dos brasileiros, assim como eu.
Foto do primeiro time campeão pernambucano: Flamengo - PE (1915)
Ao se ensinar alguns preceitos da Constituição Federal em sala de aula não se pretende retornar ao ensino da disciplina moral e cívica, lecionada durante o período da ditadura militar, visto que esta última possuía como principal papel a alienação dos alunos. O intuito é formar, juntamente aos alunos, a compreensão de como se dá a formação política básica do seu País e quais são os seus principais direitos e deveres, para que os mesmos possam sair da escola como cidadãos.
Vemos hoje em dia pessoas que, por falta de conhecimento a respeito de seus direitos e deveres infligem à lei, ou até mesmo deixam de requisitar o que lhes é de direito pelo fato de não possuírem este conhecimento. A escola, mais exatamente o espaço da sala de aula, deve ser a fonte de irradiação e construção de conhecimento. Nesse aspecto, o conhecimento sobre como é formado o nosso País, como exercemos a democracia, entre outros, deve partir dela.
Desse modo, constata-se na sociedade atual que muitas pessoas não possuem conhecimento a respeito de seus direitos e deveres enquanto cidadãos. Sabemos também que essa falta de conhecimento acarreta em vários danos à sociedade como um todo e não somente às pessoas de maneira individualizada.
Sendo assim, em todas as escolas se faz necessário promover essa espécie de conhecimento. A escola não deve se preocupar apenas na transmissão do conhecimento ou na formação para a realização de exames (vestibular). É necessário que haja um conhecimento a respeito de algumas das normas principais que regem o nosso País, principalmente daquelas que se referem à formação do mesmo e aos direitos e deveres fundamentais do cidadão.
Como exemplo, podemos citar o artigo 2º da Constituição Federal, o qual afirma que:
Art. 2º “São poderes na União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário”.
Esse é um dos exemplos que podemos retirar dos artigos da Constituição Federal. A partir desse artigo 2º, os alunos poderão compreender como se dá a divisão dos poderes no Brasil, podendo esta temática ser relacionada ao estudo sobre o Iluminismo. Esta relação será realizada quando do estudo dos seus filósofos, principalmente quando tratar-se de Charles de Montesquieu. Em relação aos direitos que concernem aos cidadãos, o artigo 5º da Carta Constitucional traz diversos dispositivos que podem ser trabalhados com os alunos. Esses dispositivos dizem respeito aos direitos e deveres individuais e coletivos, abrangendo vários temas, tais como a religião, liberdade de pensamento, igualdade entre homens e mulheres, entre outros.
Além disso, já encontramos projetos de lei no estado de São Paulo que instituem a aula da Constituição Federal nas disciplinas de História e Sociologia nas escolas da rede estadual de ensino. (PL 2.056/09).
Para a obtenção dos resultados desejados, deverá ser feita uma seleção das temáticas que são abordadas em sala de aula, pois os assuntos tratados na Constituição são muito abrangentes. Desse modo, o professor deverá selecionar e transformar os assuntos abordados de maneira a fazer com que sua linguagem seja a mais clara possível.
É bem verdade que não se pode utilizar na sala de aula a mesma linguagem que é encontrada na Constituição, principalmente por se tratarem de estudantes da 6ª série. Para que possa ocorrer o pleno processo de ensino-aprendizagem, é necessário que seja realizada por nós, professores uma adaptação à realidade vivenciada em sala de aula. Sendo assim, essa finalidade poderá ser alcançada a partir dos seguintes passos:
a) Seleção de artigos presentes na Constituição Federal que podem ser trabalhados com os alunos, exemplos: cidadania, religião, organização do Estado brasileiro entre outros;
b) Adaptação da linguagem dos artigos de modo a não modificar o seu conteúdo e facilitar a sua compreensão pelos alunos.
c) Seleção de casos de amplo conhecimento que se relacionem aos artigos anteriormente recortados.
d) Trabalho em sala de aula realizando os seguintes passos: debate com os alunos sobre os temas/artigos selecionados; entrega de uma atividade contendo um determinado caso para que seja relacionado a um dos conceitos trabalhados, sendo necessária uma justificativa.
O século XVII constituiu-se em um período de grandes modificações na mentalidade da humanidade, e tais mutações refletem até os nossos dias. De ideias puramente míticas e imbuídas do medo em relação aos castigos de Deus, pensamento típico da Idade Medieval, passou-se a ter como centro dos ideários humanos a razão. Além dessa característica, temos que levar em consideração a busca pelo livre pensamento, o qual era defendido pelos pensadores iluministas. Para que ocorresse este último, era necessário que houvesse primeiramente busca pela razão. Era ela quem iria oferecer o suporte para que o homem pensasse livremente, sem a interferência do misticismo. Talvez os modernos não tivessem a consciência de que, a partir dessas ideias, eles estivessem a realizar uma verdadeira revolução de ideias, visto que a sua intenção era a de opor-se ao medieval ou antigo, alegando uma superioridade dos modernos frente aos seus antecessores. Segundo Baumer, em sua obra “O pensamento Europeu Moderno” (Vol.1), Pp. 44:
“Também o próprio pensamento, não obstante o modo como foi compreendido na época, começou de facto a tomar forma sob um aspecto “moderno”, distinto, digamos, do “medieval” ou do “antigo”.”.
Inferimos, portanto, que o objetivo dos modernos era ir de encontro aos ideários dos seus antecessores, ou seja, dos medievais e antigos. Tais termos, por sinal, foram atribuídos pelos próprios modernos, caracterizando um detrimento em relação a esses últimos. Sendo assim, os mesmos consideravam-se como meros opositores aos seus antecessores, e não como sendo os idealizadores de uma renovação do pensamento humano.
Em um contexto não inicial do movimento iluminista, mas sim um pouco mais tardio, temos que evidenciar a figura de um dos principais filósofos desse tão importante movimento: Voltaire. O seu verdadeiro nome era François Marie Arouet, e ele representa uma linha de pensamento que se distinguia dos primeiros filósofos iluministas. Tendo nascido em 1694, Voltaire acompanhou todo o processo de modificações que estavam ocorrendo na Europa em uma data posterior ou seu início. O seu pensamento não estava somente permeado das ideias dos primeiros iluministas, visto que haviam ocorrido modificações no contexto que estava instalado na Europa.
Evidenciando essa afirmação a respeito do momento histórico no qual emergiram os ideários de Voltaire, faremos referência à sua opinião a respeito dos holandeses: os holandeses representaram um grande diferencial nesse período ao abrigarem vários intelectuais no país. O século XVII foi de grandes mudanças na Holanda: nas ciências, anatomia, astronomia e na pintura, houve reflexos de uma nova cultura que ali surgia. Voltaire subestimava a potencialidade dos holandeses, visto que em sua época os mesmos já entravam em decadência.
Voltaire era filho de abastada família burguesa, tendo ele estudado com os jesuítas no Colégio Loius-le-Grand em Paris. Levando em consideração a sua origem e formação, Voltaire, a pesar de ser ferrenhamente contrário à Igreja Católica, não era ateu. Na verdade, ele era deísta, defendendo que Deus criou o mundo, mas não possuía interferência nele. Essa sua concepção viria a modificar-se quando da ocorrência de um terremoto que devastou a cidade de Lisboa, em 1755. O seu pensamento a respeito da Igreja Católica revela-se também em sua opinião quanto à Itália. A Itália encontrava-se em decadência quando da emersão do pensamento de Voltaire, desse modo ele conferiu maior valor à França no que diz respeito à questão filosófica. Segundo ele, o problema seria a Itália encontrar-se dominada pelos padres e por isso não possuindo liberdade de pensamento, não sendo possível que houvesse o desenvolvimento da grande filosofia. No aspecto religioso encontramos uma espécie de dualismo nos pensamentos de Voltaire, tal característica pode ser evidenciada na seguinte frase do filósofo francês: “Respeito o meu Deus, mas amo o universo”. A sua formação intelectual inicial ocorrida em uma instituição católica e a irradiação das idéias iluministas que o imbuíram são os fatores que podem explicar esse deísmo ligado à razão. Voltaire também defendeu a burguesia contra a aristocracia feudal e antecipou a Revolução Francesa como sendo uma revolução burguesa. Isso por causa de suas origens burguesas, as quais o levaram a defender esta classe que estava em ascensão em toda a Europa e passava também a estender os seus domínios a outras partes do mundo.
Constituía, de fato, uma nova gama de ideias as apresentadas por Voltaire, o qual defendia, acima de tudo, a liberdade do ser humano. A liberdade por ele defendida esta contida, sobretudo, naquela referente ao pensamento, por esse motivo havia a sua abominação pela religião, pois, segundo ele, esta tolhia os indivíduos do pensamento livre. Essa característica provém das bases que Voltaire imbuiu-se para a formação das suas ideias: os libertins surgiram na França no século XVII e, assim como Pierre Bayle tinham como características principais a mentalidade crítica e racionalista, o ceticismo em relação à religião e a defesa do livre pensamento. Também não podemos negligenciar as influências burguesas que Voltaire sofreu: essa suposta “liberdade” era amplamente defendida pelos burgueses, que almejavam verem um Estado que facilitasse a realização do comércio e a obtenção do lucro. O berço do liberalismo
Voltaire também colaborou na elaboração da Enciclopédia, cuja direção estava com d’Alembert e Diderot. Por esse motivo, ele é considerado como um dos enciclopedistas. A sua aproximação com os enciclopedistas se deu a partir do dicionário filosófico, o qual foi publicado no ano de 1764.
Mas, por que consideramos Voltaire como um pensador moderno? Este termo possui várias concepções e dentre elas se sobressaem as seguintes: o moderno como sendo um conjunto de ideias e atitudes específicas que vem a romper com preceitos típicos do passado. O termo poderá também significar algo que seja recente ou que esteja ocorrendo no presente. Voltaire via a modernidade como uma nova concepção de mundo, contrapondo-se ao medieval e ao moderno, como já fora anteriormente explicitado.
Como é característico dos filósofos e das suas escolas, Voltaire se contrapôs aos seus antecessores e até contemporâneos no que diz respeito às suas concepções sobre a filosofia. Ele entendia por filosofia uma mistura entre esta última e a ciência. Pensava ao mesmo tempo em Newton, revelando uma influência da racionalidade, e em Locke, grande defensor do empirismo. Sendo assim, Voltaire uniu essas duas concepções antagônicas a respeito do conhecimento, visto que para o empirismo todo o conhecimento teria que estar ligado è experiência, enquanto para o racionalismo, o conhecimento que provém dos sentidos é algo confuso e que não pode ser facilmente esclarecido. Essa é mais uma evidência da dualidade encontrada nos postulados de Voltaire.
As idéias de Voltaire foram amplamente seguidas em toda a Europa, sobretudo pelos monarcas esclarecidos, sendo que estes, muitas vezes, pediam conselhos ao filósofo. Por esse motivo há a grande quantidade de cartas que são atribuídas a Voltaire, as quais são frutos dessas comunicações.
O campo filosófico iluminista não restringiu os seus efeitos ao período do século XVII, mas estendeu-se até os nossos dias. Quando observamos a idéia de Voltaire em aliar a crença em Deus à racionalidade, lembramos das pessoas que buscam o campo espiritual para responderem a questões meramente materialistas.
Para compreendermos a ideologia contida na Revolução Pernambucana, temos que levar em consideração que os seus três principais líderes eram maçons, então poderemos perceber a importância que esse movimento teve para o levante de 1817. Outros movimentos como a independência dos países do centro, do sul da América e dos Estados Unidos serviram como inspiração aos revolucionários pernambucanos, sobretudo através dessa participação maçônica. A figura de Portugal representava o tradicionalismo, indo de encontro a esses movimentos e resistindo às modificações que vinham ocorrendo em diversos locais do mundo. Os principais ideais defendidos pelos revolucionários seriam a liberdade, a autodeterminação dos povos e a implantação da república. Esses ideais eram advindos da Europa, mais exatamente da França e também das novas repúblicas da América espanhola. Temos as figuras de Francisco de Paula Cavalcanti Albuquerque e Domingos José Martins como meios de transposição dessas idéias da Europa para o nordeste. Os dois eram maçons.
Os desentendimentos entre portugueses e brasileiros estavam ocorrendo a todo momento em Pernambuco, o que foi evidenciado no incidente ocorrido na festa da Estância. Durante o ocorrido, um português estava injuriando brasileiros, quando foi surrado por um alferes do regimento dos Henriques. Daí ocorreu o estopim da revolução, quando os brasileiros que haviam sido presos reagiram a essa prisão, fugiram do cárcere e espalharam a revolução por todo o Recife. Na verdade, a situação já estava tensa entre portugueses e brasileiros, necessitando apenas de um momento que determinasse o início do movimento. A história nos revela algumas curiosidades e a respeito de 1817 temos algo de muito interessante: durante a tomada do poder, cogitou-se entre os revolucionários a possibilidade de libertar Napoleão Bonaparte da Ilha de Santa Helena, na qual estava preso, para que ele liderasse as tropas do movimento. Cruz Cabugá, um dos líderes da Revolução Pernambucana foi aos Estados Unidos para obter apoio político e armas, conseguindo também trazer a Pernambuco alguns generais de Napoleão. No entanto, ao chegar ao Brasil, a Revolução já havia acabado. O plano fracassara.
No entanto, mesmo sem Napoleão à frente dos soldados a Revolução triunfou, e no primeiro discurso dos revolucionários evidenciou-se a intenção de promover a união entre todos os que habitavam Pernambuco diante da figura de uma pátria nascente. Aí nós podemos observar as características nativistas da revolução, isso devido a essa tentativa de unir todos aqueles que viviam em Pernambuco, ou seja, valorizar aqueles que lá estavam, dizendo: “Pernambuco é nossa pátria, vocês que aqui vivem são todos parte de um mesmo povo”.
Passado esse primeiro momento da tomada do poder no Recife, o próximo passo seria a expansão da Revolução para os estados vizinhos, sejam eles Paraíba, Rio Grande do Norte e a então comarca de Itamaracá, além da comarca de Alagoas, sendo que ambas pertenciam a Pernambuco. Após receber a adesão desses locais, a expansão continuou nos estados do Ceará e na Bahia, sendo que nesta última, fiel à coroa, o emissário enviado, Padre Roma, foi capturado e fuzilado a mando do Conde dos Arcos, que era representante da Coroa. Importante dizer que em quase todos os estados, a população não se mostrou engajada na Revolução e em Pernambuco, no entanto, o povo tanto festejou a tomada do poder pelos revolucionários, quanto a retomada do mesmo pela Coroa portuguesa. Esse fato mostra que, apesar de engajada, a população de Pernambuco e dos outros estados não estava a par de todas as propostas dos revolucionários. A partir esse momento de consolidação no Recife, começou a ocorrer o movimento de contra revolução, ou seja, a reação da Coroa portuguesa. Por meio de guerrilhas, os revolucionários tentaram manter-se no poder, além disso, ocorreram incursões pelo litoral e pelo interior. No entanto, a reação monárquica foi feroz, e o quantitativo de soldados foi um dos fatores que fez a diferença em favor dos portugueses.
O movimento pernambucano de 1817 foi o único capaz de vencer o Reino Português em toda a sua história, sendo que os outros movimentos não passaram de intenções ou desejos de romper com a monarquia. Interessante que a idéia não consistia simplesmente em emancipar-se de Portugal, mas sim de formar um novo Estado, mais exatamente uma República. Essa República possuía todos os pré requisitos necessários para que fosse formada à inspiração Francesa, quebrando com o Antigo Regime. Seus ideários primavam pela liberdade, havendo um projeto de constituição, no qual o Estado seria laico e haveria a abolição da escravidão.
O seguinte artigo foi baseado no capítulo "A assim chamada acumulação primitiva" da obra "O Capital", de Karl Marx.
Karl Marx - Autor de "O Capital"
Para que se possa compreender o tema que será abordado durante o presente texto, se faz necessária a compreensão a respeito do que seria a acumulação primitiva do capital. Para que o capitalismo pudesse surgir era necessário que houvesse toda uma configuração anterior, a qual propiciaria a sua sustentabilidade. As explicações a respeito dessas condições, as qual seria, genericamente falando, a acumulação primitiva do capital, possuem duas vertentes que são abordadas por Marx. A primeira corresponde à concepção adotada pela economia política: segundo ela, havia pessoas astutas e espertas que trabalhavam e pessoas que nada faziam. Essa foi a base da exploração dessas últimas, que no futuro teriam apenas sua força de trabalho para vender. Marx critica ferrenhamente essas idéias, alegando a omissão da historiografia quanto aos métodos utilizados para que essa configuração pudesse ser observada. Para ele, os fatores que acarretaram nesse sistema foram a conquista, a subjugação e o assassínio para roubar. Não se pode renegar as idéias do filósofo a respeito da presente temática, no entanto, também não seria correto homogeneizar um processo tão longo e complexo, como foi o que aqui está sendo tratado.
O trabalho foi uma das peças chave de todo esse processo, mais exatamente no que concerne às modificações em sua concepção. Ele chegou a desempenhar um papel primordial para as mudanças ocorridas na espécie humana durante a sua caminhada ao longo dos tempos. Tendo surgido de uma necessidade humana em sustentar-se, ou seja, em garantir a sua sobrevivência, foi se modificando até chegar no que hoje nós conhecemos como trabalho. A mercadoria trabalho acabou por minimizar o papel da figura humana como produtora de conhecimento, sobretudo o tecnológico.
Explicando como esse processo chegou aos moldes de hoje em dia, Marx afirma que o dinheiro e a mercadoria teriam que se transformar em capital. Para essa transformação, é essencial que ocorra uma polarização em duas frentes, sendo que ambas possuem mercadorias a serem utilizadas no processo: a primeira delas possui o dinheiro, os meios de produção e os meios de subsistência, enquanto a outra possui a sua força de trabalho. Os primeiros pretendem obter essa força de trabalho, a qual representa o “motor” de toda essa “engrenagem” e os últimos necessitam vender a mesma, pois essa é a única opção para a sua sobrevivência, pois como já foi mencionado no parágrafo anterior, seus meios de conhecimento a respeito da produção foram furtados.
Analisando esse aspecto, vemos o quanto o capitalismo provocou mudanças na vida cotidiana das pessoas. Se antes trabalhava-se apenas pra sobreviver ou para realizar trocas comerciais, agora o trabalho visa o lucro. Importante frisar que esse lucro não é próprio, mas sim dos capitalistas que se utilizam das forças de trabalho alheias. Unido a esse fator temos a questão que concerne à falta de outras oportunidades desses trabalhadores, infere-se que as suas vidas estavam completamente ligadas e dependentes do seu trabalho.
Diante dessa relação, tornou-se inevitável a separação entre trabalhador e meios de produção, e dinheiro e meios de subsistência. Esse processo originou-se de maneira natural e paralelamente ao desenrolar dos fatos que originaram a acumulação do capital e o capitalismo como conseqüência , mas foi, posteriormente, realizado de maneira consciente pelos detentores dos meios de produção. Desse modo, também podemos afirmar que houve, a partir desse processo, uma divisão da sociedade em classes, à medida em que um grupo passou a ser explorado, enquanto outro consolidou-se como dominante.
O capitalismo teve as suas origens arraigadas em elementos da economia feudal. Com a desvinculação do servo em relação a sua gleba e, mais tarde, das corporações, este obteve a “libertação” da sua força de trabalho, tendo condições de realizar a sua venda para qualquer pessoa. Por outro lado, esse foi o único meio que o restou, pois os demais meios de produção não mais se encontravam sob o seu domínio. De suma importância frisar que o processo acumulativo de capital teve a sua origem no próprio campo, isso com a mecanização do mesmo e a expulsão dos trabalhadores campesinos para as grandes cidades. Nesses centros urbanos, os grandes industriais, os quais também proporcionaram a expulsão dos trabalhadores do campo, já esperavam essa grande massa em suas nascentes fábricas. Não se pode deixar de frisar a maneira pela qual ocorreu a expropriação do trabalhador de sua terra, que teve um caráter violento e usurpador. Usando o exemplo inglês, durante a Revolução Gloriosa, foram utilizados meios imorais para os capitalistas pudessem se apoderar das terras, inclusive do próprio Estado. Daí se pode extrair uma característica conflitante no que se refere a esse processo observado na Inglaterra: o monarca, Guilherme III, leva consigo ao poder os capitalistas e extratores de mais valia fundiários, e os mesmos tomam do Estado, representado na figura de Guilherme, as suas terras.
O capitalismo utilizou-se de meios anti éticos e imorais para fazer valer o seu poder e sua força. Em nome do lucro, o homem deixou de ser visto como um ser de sentimentos e racional, passado a ser uma mera mercadoria. E hoje é isso que vemos, aquele que não trabalha está, até certo ponto, à margem da sociedade. Vejamos pois que até a idade na qual se deve trabalhar está prevista, é o que se chama de população economicamente ativa. Esses fatos também são observados quando do processo que começou com a acumulação primitiva do capital e veio a desembocar no capitalismo, fazendo a comparação podemos dizer que o presente está dialogando com o passado.
Paralelamente ao modo violento utilizado para expropriar as terras, foi utilizada a lei como veículo para realizar o roubo das terras do povo. A classe dominante da época emergiu ao poder e utilizou-se dele para assegurar o seu domínio sobre as terras, utilizando cada vez mais a mecanização no campo. A diferença é que a partir desse momento eles estavam amparados legalmente, mas com as leis que eles próprios fizeram. Na Inglaterra, os cercamentos foram a expressão dessa usurpação legal, se assim podemos dizer. Com eles os grandes proprietários de terra foram apoderando-se das terras dos pequenos proprietários e arrendatários, os quais foram vender a sua força de trabalho nas cidades. Quando observamos esse processo do ponto de vista do camponês, podemos afirmar que os proprietários fundiários tomaram o lugar dos senhores feudais no que se refere a posição de dominantes. No entanto, há uma diferenciação no tocante a esse processo, visto que os senhores feudais exploravam os camponeses, enquanto os proprietários fundiários expulsaram os mesmos de suas terras. A semelhança é que eles continuaram sendo vítimas de um processo brutal.
A célebre frase de Thomas Morus na sua obra Utopia retrata bem o que ocorreu nesse período: ele fala de um país “onde os carneiros devoram os homens”. O que quis dizer Morus com essa frase? Vejamos pois que ele se referia justamente a essa expulsão dos camponeses para as cidades, isso para realizar a criação de ovelhas, visto que a industria nascente necessitava de lã para realizar o seu abastecimento. Configura-se então uma visão de homem como mera mercadoria em poder dos capitalistas.